quarta-feira, 29 de junho de 2011

A dura decoração do galpão

Na fazenda há cadeiras de ferro forradas de pele de visom, candelabros surgindo sobre mesas de piquenique e cristais pendurados nas árvores. Apesar do deslumbre, a propriedade de 61 hectares em ondulação, a quinze minutos do centro da Pittsburgh, não é exatamente uma versão do Petit Hameau de Versalhes. Algumas pedras prateadas foram pintadas por pulverização. Porém, o sofá entre cortinas brancas de tecido transparente, feito com troncos e com vista para um rio dentro do bosque, é resistente a decomposição e permanecerá ali seja qual for o clima.

“É a sobrevivência do mais forte”, disse Esther Dormer, que comprou o local há 11 anos para servir de segunda residência, junto com seu marido, o piloto Brian Dormer. Esther é a fundadora da empresa de capital de risco Future Fund. Os dois têm a mesma idade, 51, e moram em um subúrbio de Pittsburgh que fica a 30 minutos da fazenda. “Nós plantamos e vamos embora”, conta ela.

“Nós nunca cobrimos as raízes, e se algo não der certo_uma planta, os cachorros, o tecido dos móveis_ vai para fora. ”Nós não podemos ser exigentes aqui".

Era uma tarde extremamente quente e o pólen soprava do celeiro. Ali se via um número amish autêntico melhorado com uma coleção envolvente de esferas de cimento. A reprodução de uma lâmpada de sinais Morse. 30 cadeiras prateadas dobráveis, feitas de ferro batido. Uma mesa de madeira reaproveitada de 7 metros de comprimento. Além de uma mesa de bilhar com tampo de alumínio trabalhado.

Na extremidade, um sofá revestido de vinil com estampa de cobra na cor conhaque, resistente a ratos e ao mofo, conforme observou Lisa Dagnal, designer autodidata de 43 anos que tem como única cliente Esther Dormer.

Foi a ela que Dormer se dirigiu há três anos para uma pedir uma ajuda na decoração. “Eu tenho esta fazenda”, disse. “Seu aspecto poderia ser bem melhor”.

A primeira tarefa de Dagnal foi melhorar o escritório no andar térreo do celeiro. Ela e Darrell Frey cobriram a rede de condutos com musgo e casca de bétula. Frey é especialista em permacultura e administrador de propriedades.

Homem de poucas palavras, ele é pensador e facilitador residente da fazenda.

“Essas senhoras adoram apresentar problemas ao design”, afirmou.

A fazenda não esteve sempre pronta para as câmeras como agora. (Em relação ao nome, Dormer prefere as denominações descritivas em vez das sentimentais.

Não existe a palavra veraneio, pois ela “lembra um local de cobertura vermelha, branca e azul, que fica próximo de onde se compra sorvete no verão”, afirma. “Porém, cinco delas se chamam 'casa com vista panorâmica’”.

Quando Dormer e o marido compraram o terreno, ele era um cemitério de utensílios antigos e pasto para gado, mas estava desocupado.

Dormer era “uma moça do subúrbio incapaz de cultivar uma única planta em casa”, conforme ela mesma diz. Ela queria que seus filhos Max e Maggie, hoje com 17 e 14 anos, soubessem de onde vinha aquilo que eles comiam. Então, teve a ideia de cultivar os produtos e doar para o banco de alimentos local.

Um fazendeiro foi contratado e passou a morar na propriedade. Ele semeou quatro hectares de alimentos de alto valor nutritivo como repolho, couve, cenoura e pimentão. O banco de alimentos forneceu voluntários para a colheita. Em pouco tempo, a fazenda produzia uma safra anual segura, que era distribuída pelo banco de alimentos. Brian Dormer, piloto da United Airlines, ficava fora de quatro a cinco dias por semana e por isso, ajudava quando podia. As crianças vinham quando os horários da escola permitiam.

Esther Dormer registrava-se em todas as conferências sobre agricultura sustentável que podia e, em uma delas, conheceu Frey. Ela atraiu o interesse dele na aplicação da permacultura, método cujo princípio consiste em criar ecossistemas eficazes e autossuficientes, como o cultivo de pomares sem arar a terra. Ela comprou um antigo celeiro amish para que os voluntários tivessem um local para se proteger do sol. Ali, pensou ela, aconteceria, em suas palavras, uma “satisfatória reunião” de ajudantes entusiásticos com ideias afins.

Porém, ela descobriu que, na realidade, os voluntários não eram pessoas semelhantes. Às vezes, eles eram adolescentes que “corriam para um lado e para o outro, brincando de bater uns nos outros com equipamentos da fazenda”, conta ela, “outras vezes, eram pessoas que nem apareciam”.

Entretanto, eles colheram muitos alimentos, mais de 68 toneladas de 2001 até o final de 2007. Além disso, Dormer estendeu seu compromisso de cinco para seis anos.

“Eu não era a melhor das fazendeiras de agricultura orgânica o tempo todo”, ela conta. “Às vezes, eu saía com minhas amigas quando os voluntários chegavam. Eu não trabalhei duro sempre”.

Ela também criava animais. Entre eles havia porcos vietnamitas, cavadores contumazes e artistas da escapada, além de cabras, galinhas, lhamas, cavalos e jumentos. “Era como uma fazenda do tipo zoológico”, afirma.


Após sete anos, Dormer estava exausta devido ao trabalho na fazenda, e seus filhos, que haviam se tornado adolescentes, passaram a se interessar mais por paintball do que por animais e colheitas. Por isso, Dormer doou a vários fazendeiros das redondezas as llamas, os porcos, as cabras, os cavalos e o burro. As galinhas morreram em duas semanas depois que uma família de falcões apareceu. Então, ela resolveu que estava pronta para desfrutar do lugar, transformando a fazenda em um refúgio para os fins de semana.

Inicialmente, ela consultou peritos no planejamento de jardins e paisagens.

“Porém, o conhecimento deles estava focado na maneira como posicionar as árvores”, afirma ela.

Nesse meio tempo, Dagnal decidiu realizar uma 'open house’_festa aberta a todos que queiram comparecer_com o intuito de mostrar seu trabalho. Na época, ela criava
três meninos e decorava sua própria casa e a de seus amigos. Havia mesas laqueadas, cômodas remodeladas e peças de estofados claros. Dormer foi convidada para o evento pela amiga de uma amiga e ficou atraída pelo estilo da artista, que se parecia com o seu próprio.

“Quando eu era jovem, usava sempre vestidos com babados junto com botas de combate”, afirma Dormer. “E minhas amigas diziam 'que diabos você está vestindo hoje?'” No dia seguinte, Dagnal e Dormer estavam de fato parecidas. Elas usavam conjuntos de algodão em preto e branco e sandálias pretas presas ao tornozelo. Dagnal usava pedras imitando diamantes no cabelo, um presente de Dormer.

O projeto inicial envolvia um lago, sua margem e um velho barco a remos.




“Esther afirmou que 'criar aquilo parecia fantástico’”, lembra Dagnal. “Eu limpei o barco todo e o pintei de preto e creme”. “Eu nunca tinha feito nada parecido com aquilo”. “Meus amigos perguntavam admirados 'você está pintando um barco’”? Agora, ele está posicionado de forma encantadora, metade dentro e a outra fora da água, amarrado a uma coluna de ferro. Já não tanto um barco, mas um objeto decorativo.

“Nós o tornamos moderno”, afirma Dagnal.

Ela também transformou a enorme base de cimento de uma fonte em um terrário e mesinha de centro para a sala de estar da casa da fazenda, enchendo-a com lodo, musgo, galhos finos e pedras, e cobrindo-a com um tampo de acrílico.

Frey teve que reforçar o chão para que ele não cedesse. (Sobre o critério de seleção dos móveis e objetos da fazenda, Dagnal explicou: “eles têm que mexer com as pessoas e não podem ser insignificantes”.) A área de serviço agora é uma sala de banho suntuosa, com cadeiras de ferro estofadas em pele de visom antiga, que Dagnal encontrou em um brechó.

“Quem precisa de lavanderia somente para os fins de semana?”, afirma Dormer.

“Esther afirmou que 'criar aquilo parecia fantástico’”, lembra Dagnal. “Eu limpei o barco todo e o pintei de preto e creme”. “Eu nunca tinha feito nada parecido com aquilo”. “Meus amigos perguntavam admirados 'você está pintando um barco’”? Agora, ele está posicionado de forma encantadora, metade dentro e a outra fora da água, amarrado a uma coluna de ferro. Já não tanto um barco, mas um objeto decorativo.

“Nós o tornamos moderno”, afirma Dagnal.

Ela também transformou a enorme base de cimento de uma fonte em um terrário e mesinha de centro para a sala de estar da casa da fazenda, enchendo-a com lodo, musgo, galhos finos e pedras, e cobrindo-a com um tampo de acrílico.

Frey teve que reforçar o chão para que ele não cedesse. (Sobre o critério de seleção dos móveis e objetos da fazenda, Dagnal explicou: “eles têm que mexer com as pessoas e não podem ser insignificantes”.) A área de serviço agora é uma sala de banho suntuosa, com cadeiras de ferro estofadas em pele de visom antiga, que Dagnal encontrou em um brechó.

“Quem precisa de lavanderia somente para os fins de semana?”, afirma Dormer.

“As minhas roupas eu lavo quando chego em casa, no domingo à noite”. “Tenho duas máquinas de lavar e duas secadoras, e termino muito rápido de lavar as roupas”.

Os puristas podem não gostar, mas Dagnal e Dormer estão se divertindo embelezando carrinhos de mão e explorando prédios e galpões empoeirados. Uma casa anexa agora brilha com tinta branca, espelhos dourados e um cavalete. A inspiração para este espaço veio do filho de Dagnal de 10 anos, Will. Ele gostava de brincar ali enquanto sua mãe trabalhava.

“Isso nunca, 'vamos pintar na cor creme’”, afirmou Dormer. “É mais provável que ocorra isso, encontramos algo especial, Lisa cobre com musgo e eu adoro”. “E o objeto simplesmente evolui”.

A união do decorativo com o utilitário às vezes traz problemas. Em um armazém de ferramentas, Dagnal criou uma instalação a partir de madeira reciclada, rolos de cordas e correntes. Esses componentes são tentadores para Frey e os trabalhadores da fazenda, que às vezes fogem com algumas partes.

“Eles já removeram tudo várias vezes”, afirma Dagnal. “Quando precisam de alguma coisa, é o primeiro lugar para onde vão”.

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