quarta-feira, 29 de junho de 2011

Semeando o encanto no jardim


Criaturas estranhas parecem habitar o jardim feito por John Fry e pela sua filha escultora Leslie. Seres mágicos (parte homem, parte animal e parte vegetal), tão intrigantes e complexos que parecem ter saído de um livro de contos infantis. Aqui, no entanto, a trama é conhecida apenas pela artista.

Uma jovem de longas tranças se lança protetoramente sobre a piscina. Com o corpo inchado de um pássaro e as patas de um leão, ela é uma das muitas esfinges que fizeram uma casa desse jardim. Nas colunas de uma treliça, algumas cabeças humanas deixam-se entrever dentro de bocas de peixe como se o fato de estarem sendo devoradas não lhes impressionasse ou surpreendesse.

A artista chama essas peças de “Os Jonas”.

Uma figura moldada a partir de frutas e legumes está escondida numa cerca de pedras. Seu corpo é um sabugo de milho e a sua sexualidade abrangente é exposta pela escultora quando ela aponta que a figura não está simplesmente prenhe, mas é hermafrodita. Parte fruta, parte verdura, pansexual: as possibilidades românticas são surpreendentes, embora outras criaturas de sabugo provavelmente sejam os seus pretendentes mais compatíveis.

Será que essas criaturas têm histórias ou personalidades? “Os contos de fada e a literatura me encantam e animam o trabalho que eu faço”, explica Leslie Fry. Assim como a esfinge à beira da piscina, a escultora possui uma longa cabeleira ruiva cuja tonalidade (uma vez que entramos nesse universo hibrido de plantas e homens) lembra o vermelho escuro e outonal das folhas de bordo, como se a artista tivesse nascido numa floresta. “A mitologia tem uma grande influência sobre mim”, ela prossegue.

“A arte antiga também. As esfinges eram usadas como guardiãs. A que está à beira da piscina certamente está de olho em tudo”.

Ela conclui: “O Pormeleau Park, em Burlington, Vermont, foi um dos primeiros e maiores trabalhos que já concluí. Era um parque circular para o qual eu fiz essas esfinges. No parque elas estão postas em colunas por onde descem as suas tranças”.

Fry toca o nariz aparentemente erodido de uma das esfinges que habitam o jardim do seu pai. “Ela foi rejeitada”, diz a escultora.
“Ela é imperfeita”, John Fry explica jocosamente. “E para completar, uma vez ela caiu na piscina. Eu não a tinha posto numa base suficientemente estável”.

“Você tem uma visão maravilhosa dessa peça enquanto está nadando”, ele conta. “Eu sei que Leslie não tinha essa intenção, mas ela dá um toque final encantador à piscina”.

Um pai, uma filha, um jardim colaborativo que funciona muitíssimo bem, embora Leslie Fries more em Winooski, Vermont, não muito distante de Burlington, e seu pai viva no condado de Westchester, uma hora ao norte de Manhattan.

O pátio atrás da casa de Fry é habitado por outra dúzia de criaturas de pedra, plantas rasteiras cercam uma esfinge de braços bem torneados e pés de leão, que relaxa languidamente no topo do que poderia ser uma miniatura de um edifício público (uma biblioteca ou talvez uma estação de trem), como se as criaturas místicas desconhecidas dividissem espaço conosco. Próximo dali, numa ladeira, um rosto humano e pálido parece nascer ou ser liberado da terra por uma moldura de pequenas flores brancas de deutzia e compridos heliotrópios roxos.

O concreto das esculturas de Leslie ecoa a pedra acinzentada do jardim de esculturas, quase como se as musas de John Fry tivessem surgido do mundo natural.

Aqui existem alguns jardins distintos: um roseiral quase que tomado por rosas inglesas do tipo David Austin, localizado no canto sudoeste da propriedade; uma horta foi posta no morro; um parreiral de uvas Concord usadas pela esposa de Fry, Marlies, para preparar um lote anual de geleias; um jardim de ervas escondido atrás do tanque de peixes. Mas o mais intrigante de todos é a combinação entre esculturas, flores e pedras criada por pai e filha.Fry tem 81 anos e a sua filha, 57. Como os pais de Leislie se divorciaram quando ela estava com apenas 3 anos, os dois não chegaram a passar muito tempo juntos enquanto ela crescia. Leslie Fry mudou-se com a mãe de Montreal, onde eles viviam, para Vermont. E John Fry mudou-se para a cidade de Nova York, onde mais tarde ele casou-se com a sua esposa atual, a cujo nome de solteira era Marlies Strillinger. Leslie e o pai só compartilhavam os verões e os feriados.

“Ela é imperfeita”, John Fry explica jocosamente. “E para completar, uma vez ela caiu na piscina. Eu não a tinha posto numa base suficientemente estável”.

“Você tem uma visão maravilhosa dessa peça enquanto está nadando”, ele conta. “Eu sei que Leslie não tinha essa intenção, mas ela dá um toque final encantador à piscina”.

Um pai, uma filha, um jardim colaborativo que funciona muitíssimo bem, embora Leslie Fries more em Winooski, Vermont, não muito distante de Burlington, e seu pai viva no condado de Westchester, uma hora ao norte de Manhattan.

O pátio atrás da casa de Fry é habitado por outra dúzia de criaturas de pedra, plantas rasteiras cercam uma esfinge de braços bem torneados e pés de leão, que relaxa languidamente no topo do que poderia ser uma miniatura de um edifício público (uma biblioteca ou talvez uma estação de trem), como se as criaturas místicas desconhecidas dividissem espaço conosco. Próximo dali, numa ladeira, um rosto humano e pálido parece nascer ou ser liberado da terra por uma moldura de pequenas flores brancas de deutzia e compridos heliotrópios roxos.

O concreto das esculturas de Leslie ecoa a pedra acinzentada do jardim de esculturas, quase como se as musas de John Fry tivessem surgido do mundo natural.

Aqui existem alguns jardins distintos: um roseiral quase que tomado por rosas inglesas do tipo David Austin, localizado no canto sudoeste da propriedade; uma horta foi posta no morro; um parreiral de uvas Concord usadas pela esposa de Fry, Marlies, para preparar um lote anual de geleias; um jardim de ervas escondido atrás do tanque de peixes. Mas o mais intrigante de todos é a combinação entre esculturas, flores e pedras criada por pai e filha.Fry tem 81 anos e a sua filha, 57. Como os pais de Leislie se divorciaram quando ela estava com apenas 3 anos, os dois não chegaram a passar muito tempo juntos enquanto ela crescia. Leslie Fry mudou-se com a mãe de Montreal, onde eles viviam, para Vermont. E John Fry mudou-se para a cidade de Nova York, onde mais tarde ele casou-se com a sua esposa atual, a cujo nome de solteira era Marlies Strillinger. Leslie e o pai só compartilhavam os verões e os feriados.


Mesmo assim, os dois têm muitas coisas em comum: o amor e até mesmo a necessidade de praticar jardinagem; uma simpatia pelo meio ambiente e uma vocação esquerdista para a boêmia.

John Fry começou a esquiar aos 6 anos e, quando adulto, trabalhou como editor de inúmeras revistas de esqui. No final dos anos 1980, ele começou a Snow Country, publicação da divisão de revistas de The New York Times Co.

especializada em inverno e vida ao ar livre. Mais tarde ele se tornou editor de desenvolvimento para novas revistas para a divisão de esportes e lazer da companhia. Embora minimize as suas próprias conquistas, Fry foi um grande esquiador e aventurou-se em terrenos perigosos: as montanhas Atlas, os Andes e os Bugaboos da Colúmbia Britânica. Ele também participou de conselhos ambientais como o Riverkeeper, grupo que trabalhou para despoluir o rio Hudson.Em 1979, ele comprou esta propriedade de 1,6 hectare, com vista para o reservatório Cross River, por cerca de US$ 65 mil. Sua casa de três quartos foi finalizada em 1981 e construída como uma residência solar passiva, por um valor entre US$ 160 mil e US$ 180 mil. O acesso para o terreno era crucial. Quatro portas de vidro dão para os jardins que circulam a casa e, antes de quebrar o chão, Fry construiu, a partir dos projetos do arquiteto, um modelo em madeira balsa para garantir a qualidade da vista.

Mas desde o começo ele soube que teria um desafio: O que ele iria criar nos fundos da casa para competir com a espetacular vista do rio? Por sua vez, após a sua graduação e antes de voltar para Vermont, Leslie morou algum tempo em Nova York, onde criou peças em tecido escultural, descritas por ela como “lingerie para seres imaginários”. (Esse seu trabalho foi incluído numa exposição itinerante chamada 'Empty Dress: Clothing as Surrogate in Recent Art’, em 1993.) Com a pequena herança que recebeu da sua avó paterna, ela comprou uma casa em Winooski e começou a praticar jardinagem. Ela também começou a fazer esculturas para a sua própria casa, como as enormes patas de concreto sobre os suportes do seu deck.

“Meu trabalho começou a mudar no momento em que eu me tornei dona da minha própria casa”, ela conta. “Como a maior parte das peças eram feitas de concreto, elas podiam ficar do lado de fora. Eu também desejava fazer algo com o ambiente. Eu amo arte medieval e ruínas. Também comecei a me interessar por arte pública e a querer fazer coisas menos preciosas e mais acessíveis. Isso me afastou da inconstância do mundo da arte”.

Seus trabalhos públicos incluem 'Nest Builder’, uma esfinge de 1,8 m em concreto (retratando uma cabeça de mulher num corpo de pássaro), criada pela artista no ano passado para o Seminole Garden Center, em Tampa, Florida. No entanto, uma variação da peça, feita em bronze, pode ser econtrada no jardim do seu pai. Em 2007, ela também criou uma série de peças com elementos humanos, animais e vegetais, chamada 'Wild Life Sculpture Search’, para o Boca Ciega Millennium Park em Seminole, Flórida.

Suas esculturas são geralmente uma mistura de gesso e materiais acrílicos e vegetais, muitas delas permanecem semiescondidas. O conjunto de esculturas em Boca Ciega Millennium Park inclui uma mulher com cabeça de pinha, olhando tristemente para um pinheiro morto, como se estivesse de luto; e uma mulher-pássaro com cabelos de feno e a parte inferior do corpo transformada em um ninho apoiado por duas mãos humanas. Ela já foi perguntada sobre o motivo pelo qual a mulher contempla a árvore com tanta tristeza. “É uma árvore morta”, ela responde. “Tudo está indo para o inferno”.

A artista ainda explica que as peças para o projeto de Boca Ciega foram criadas com o objetivo de sofrer o desgaste do tempo. Por quê? Sendo um projeto de baixo orçamento, ela explica, foram feitas esculturas de gesso, que é mais barato.

A erosão não é um problema no jardim de Katonah, onde ficam expostos trabalhos em concreto, cerâmica ou bronze. Mas Leslie Fry e o seu pai aceitam que as peças sofram transformações a partir do jardim. Um par de sapatos esculpidos próximos de uma cascata está com um dos saltos quebrados.

Do lado da casa, um nu reclinado foi tomado por trepadeiras, desaparecendo cada vez mais durante o verão: uma ninfa, invocada durante um sonho, desaparecendo na floresta.

Leslie gosta disso. “É uma confluência agradável entre arte e natureza”, ela afirma. “Eu crio coisas nas quais as trepadeiras possam crescer. No parque de Vermont, com as esfinges e as colunas, colaborei com o paisagista para que as trepadeiras pudessem tomar as colunas. Agora elas cobrem completamente algumas esfinges, e algumas pessoas me perguntam: ‘isso não te deixa chateada?’ Eu respondo: `Não, isso só faz com que tudo se torne mais misterioso”.

“Isso é apenas uma consequência da minha atração por ruínas e coisas grandiosas”, ela completa.


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