sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mulheres desobedecem governo e dirigem livremente na Arábia Saudita

Várias mulheres sauditas desafiaram nesta sexta-feira (17) a proibição de dirigir no país e saíram em seus carros, em protesto contra a discriminação que sofrem, segundo diversos ativistas.

Uma jovem que se identificou como Laila Sindi, da cidade litorânea de Yeda, afirmou em seu Twitter que saiu às 9h (3h, em Brasília) junto com uma amiga e sua prima em um veículo conversível e que as ruas estavam tranquilas.

Em Riad, Aziza Youssef, que declarou em seu Twitter ter 54 anos, disse que por volta das 12h (6h, em Brasília) dirigiu seu carro e que, inclusive, passou na frente de dois carros da polícia.

De volta à sua casa, ela afirmou que não teve nenhum grande problema, apesar de ter sido seguida por três veículos durante parte de seu percurso.

- Achava que eram policiais, mas eram três jovens que estavam tentavam me proteger.
Aparentemente, a primeira mulher que desafiou a proibição dirigiu por volta de 00h40 (18h40, em Brasília) na capital e postou um vídeo no Youtube.

Na gravação, que dura pouco mais de três minutos, a motorista usa um niqab.

- Queremos depender de nós mesmas sem ter que contar com motoristas. Temos o direito de dirigir.

As ativistas saíram às ruas apesar da detenção da organizadora dos protestos, Manal Sherif, em 21 março. Ela foi solta nove dias depois após pagar fiança e se comprometer a desmarcar o protesto convocado para esta sexta-feira.

Manal foi acusada de desrespeitar a ordem pública, dirigir e estimular as mulheres a fazê-lo, além de ter publicado imagens e vídeos em vários sites que estimulam a população feminina a violar a legislação.

Lei islâmica impõe a segregação de sexos

Na Arábia Saudita rege uma estrita interpretação da lei islâmica, que impõe a segregação de sexos em espaços públicos.

As mulheres não podem dirigir nem viajar para fora do país sem estarem acompanhadas por um homem da família, entre outras restrições.

No sermão da última sexta-feira, alguns predicadores criticaram esta campanha, chamada "Vou dirigir meu carro", que consideraram "corrupta e imoral".

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